Querida sociedade:
Há algum tempo venho desenvolvendo em mim a vontade de lhe dizer algumas palavras.
Não considere este texto como uma crítica feroz, mesmo porque, todos a criticam.
Rockeiros lhe criticam porque quase a totalidade das pessoas os rejeitam; funkeiros lhe criticam
porque algumas pessoas os julgam vulgares; pessoas 'malhadas' lhe criticam porque
a maioria das pessoas diz que estes não possuem massa encefálica, somente massa.
Eu poderia enumerar todos os tipos ou 'grupos' de pessoas que lhe fazem pesadas
acusações, porém, vou apenas escrever-te em forma de prosa e dar-lhe a minha singela
opinião.
Eu nasci no ano de nosso senhor de 1988, portanto, há pouco tempo faço parte da 'vintolescência'.
Do sol vermelho do leste ao cair das estrelas, dia a dia, fui convidado a moldar minha personalidade
ao seu bel-prazer. E isso não foi tão ruim, haja vista sua diferença enquanto eu vivenciava a mais bela
fase da vida, a infância. A pergunta que me faço, em algumas situações é a seguinte:
Se você nos convida a mudar, adquirir pré-conceitos, padrões de beleza, quem lhe dá sua forma? Quem lhe rege!?
Por vezes acredito existir algum grupo de pessoas que esteja acima da linha do senso de percepção
dos humanos, dirigindo aqui e alí com pequenos gestos, pequenas mídias, pequenas casas de moedas, pequenas pessoas gigantes.
Confesso que chego a acreditar que estou a enlouquecer quando pensamentos
como estes visitam a minha mente; mas ao mesmo tempo conto com um alento perspicaz; lunáticos não sentem medo de
estarem se tornando loucos, estes acreditam estarem ficando sãos.
Seja como for, sua mudança foi detectada pelos meus olhos.
Eu, na minha fase dourada, tive como educação televisiva os grandes programas da TV Cultura, cito alguns deles:
X-Tudo, Castelo Ra-tim-bum, Glub Glub, Sítio do Pica-pau amarelo, O mundo de Beakman, entre outros.
Na minha fase da inocência, não existia 'funk', tampouco músicas que faziam apologias abertas à tráfico de drogas, libertinagem,
prostituição e desvalorização ao conservadorismo que lhe regeu até meados dos anos 90.
O fato é que a infância da atual geração acaba convidando-as a serem apenas mais um papagaio de
repetição, com programas educativos quase inexistentes, programas com apelos sexuais surgindo com uma velocidade assustadora,
'músicas' de qualidade questionável e professores corrompidos por políticos que iludiram e iludem a todos com falsas verdades.
Hoje é comum encontrar estudantes praticando atos sexuais já dentro de escolas do primário. O nosso governo chegou a planeiar
um golpe de mestre e introduzir preservativos nas escolas. Eles viriam com um cartaz: Pratiquem sexo com 10 anos de idade, é saudável e faz bem!
Grupos com ideais distintos digladiam entre si por migalhas de sua parte, sem se darem conta de que NUNCA haverá paz com a nossa mentalidade
doentia.
Para onde você está a nos guiar?
Gostaria de dizer que chego ao meu vizéssimo terceiro outono sem ter me tornado um:
Maconheiro
Bêbado
Libertino
Fumante
Baladeiro
Marginal
Funkeiro
E lhe peço perdão por ser reacionário a ponto de manter minha personalidade intacta.
Eu faço parte da resistência. Eis aqui um adversário que será páreo duro de se derrubar.
Por vezes chego a me imaginar dentro de um balão simplório, condizente com minha alma.
Auxiliado por ventos suaves e gentis, começo a subir a nível de pequenos sobrados, pequenas edificações, e, sem me dar conta, ultrapasso gigantescos
arranha-céus. Dalí consigo olhar para os seus olhos vermelhos e assustados, com o desejo de descansar de uma existência marcada por conflitos e uma falsa harmonia forçada.
Uma existência criada pelo único dos animais que não conseguiu desenvolver a compaixão.
Quanto mais me distancio de você, mais me aproximo de mim... Quase posso sentir o meu próprio abraço confortando-me.
Sei que existe beleza em meio ao caos, o sorriso de uma criança que será modificada por ti, um senhor digno de respeito em sua juventude de 80 e poucos anos,
pessoas com ideais parecidos com os meus, me fazem sonhar novamente.
Peço mais uma vez, encarecidamente, que não leve este texto como uma crítica, apenas estou expondo minha opinião. Esteja certa de que eu torço para o seu bem, mas,
sozinho nada poderei fazer.
Você escreve muito bem mesmo! Enquanto leio fico viajando em meus pensamentos!
ResponderExcluirVejo que você sempre se justifica, ex: 'Peço mais uma vez, encarecidamente, que não leve este texto como uma crítica'....
Deixe que digam! Há pessoas que possuem certas atitudes (diferentes das nossas) e elas nem se preocupam em justificar, pensar...
Pensar? É, as pessoas não se questionam. Entram num ciclo vicioso e não usam a autocrítica.
Mas , eu também não me corrompi. E não estou nem aí para o que os outros dirão. E dizem, julgam, criticam. Mas tenho meus valores e pretendo levá-los comigo para sempre!
Vejo algumas crianças e sinto pena. Porque elas tem vergonha de brincar; com 10 anos elas estão 'amando, sofrendo'. E se perdem, sem perceber. Elas não vivem a infância.
Elas se preocupam em estar no padrão que você citou. "Que vergonha se eu não beber, vão me achar careta, vão me excluir do grupo." - Não entendem que, amigo gosta de você exatamente do jeitinho que você é.
E a escola perdeu seu maior objetivo: ensinar, instruir pessoas para que saibam atuar em sociedade como seres que pensam, questionam e RESPEITAM seu próximo.
Respeitar o próximo então, está cada vez mais difícil, as pessoas simplesmente querem levar vantagem em tudo, não se colocam no lugar do outro e só pensam em dinheiro, poder etc
Eu queria que tivesse uma lei da qual exigisse que os filhos dos políticos estudassem em escolas públicas! Ahhh ia ser muito bom!
Enfim, escrevi demais, você vai enjoar de ler, mas são muitas coisas para discutir né?
Vamos desabafar, expor nossas opiniões, quem sabe mais pessoas tenham acesso e mudem um pouco. E principalmente, orientar quem está ao nosso redor. O que nos resta é ter esperança.
Desculpa pelo texto enorme, mas parabéns por tudo!
Bjs,
Paula.
Eie, aqui é a Serennah!
ResponderExcluir"Seja como for, sua mudança foi detectada pelos meus olhos."
Eu também detectei e MUITO.
"Na minha fase da inocência, não existia 'funk', tampouco músicas que faziam apologias abertas à tráfico de drogas, libertinagem,
prostituição e desvalorização ao conservadorismo que lhe regeu até meados dos anos 90."
Existir existia, né! Mas eramos puros demais para notar... Sem contar que naquela época era tudo brincadeira de rua, brincadeiras e amizades inocentes, tanto na rua quanto na escola, não havia internet 100% presente como hoje, que de certa forma, aliena a cabeça de muitos garotinhos e apresenta conteúdos 18+ aos montes e que são pouco fiscalizados, tanto pela rede social (pode ser difícil mas não impossível) quanto pelos pais.
É de pessoas como vc, como eu, como outros que conseguem enxergar o quão complicado está atualmente, para fazermos nossas crianças enxergarem também! Temos que FALAR MESMO, nos comunicar mais com as crianças, dizer como o mundo é hoje, aconselhar, senão nossas futuras crianças não poderam mais ser chamadas de crianças, já que estão vivenciando como adultos!
Eu amei o texto, concordo com tudo, mas não sou uma pessoa que consegue expor minhas idéias direito... se tiver ficado confuso, me perdoa, tá?
Vou passar a ler mais aqui, não sabia que vc escrevia, até ver no flogão rs!
=*
Poxa, Filipe, você é superável por si! Que texto mais argumentativo!
ResponderExcluirEu já conhecia parte de sua personalidade forte e admiro-a grandiosamente. Não exatamente por considerações acerca do certo ou errado, mas pela genuinidade que ela carrega.
Espero que o destinatário - se assim posso dizer - dedique um pouco dos olhos dele ao seu texto, pois valeria a pena.
Fala de mim, mas sua escrita é brilhante.
Um recíproco parabéns, bocó!
Eu adoro seus textos, Lipe. Vc arrasa
ResponderExcluirbjs
Ju
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